Fístula bilio-duodenal pós colecistite aguda: Relato de caso

Marina Araújo Fonte Boa, Marina Pirassol Tepedino, Camila Santos Guimarães, Márcio Alexandre Terra Passos

Resumo


As fístulas biliares internas espontâneas são comunicações estabelecidas entre qualquer segmento da árvore biliar e dos órgãos abdominais. Elas constituem uma afecção rara apesar de compreender uma complicação da colecistite, patologia freqüente da prática cirúrgica. As fístulas bilioentericas ocorrem em 3-5% dos doentes com colelitíase, sendo 68% destas bilioduodenais. O objetivo desse manuscrito é relatar um caso de fístula bilioduodenal complicada com hemobilia e hemorragia digestiva, descrevendo a conduta adotada. Os dados foram coletados entre dezembro/2015 a abril/2016 através da analise de prontuário fornecido pelo Hospital Universitário Sul Fluminense (HUSF). Trata-se de um paciente masculino, 75 anos, atendido no HUSF-Vassouras/RJ com diagnóstico sindrômico de abdome agudo inflamatório por colecistite aguda, submetido a tratamento conservador para regressão da inflamação peri-colecística, diminuindo assim, o risco de lesões iatrogênicas da árvore biliar em posterior cirurgia. Evoluiu com melena, que foi investigada por endoscopia digestiva alta onde foi observada úlcera de bulbo duodenal com drenagem de secreção purulenta pela sua luz; e tomografia computadorizada de abdome que evidenciou presença de aerobilia indicando presença de fístula bileodigestiva. O tratamento conservador consistiu-se em antibioticoterapia e reposição volêmica, optado devido à remissão do quadro de colecistite após desobstrução pela fístula, devido à hemorragia que cessou espontaneamente e também pelo risco da realização do procedimento cirúrgico em paciente idoso com intensa resposta inflamatória sistêmica. Não é comum na literatura médica a ocorrência de fístulas biliodigestivas com sinais e sintomas hemorrágicos. O quadro clínico geralmente é inespecífico e frequentemente atrasado devido à falta de sinais e sintomas patognomônicos.


Palavras-chave


Colecistite; Fístula biliar; Hemobilia

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DOI: https://doi.org/10.21727/rs.v7i2.392

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