Gastroenteropatia crônica Eosinofílica em paciente jovem do sexo feminino: Relato de caso

  • Lucas Tostes Espírito Santo
  • Vinícius Marins Carraro

Resumo

Gastroenteropatia eosinofílica é considerada doença rara, mais prevalente no sexo masculino, em crianças ou pacientes dos 30 a 40 anos. A patogênese permanece desconhecida e as manifestações clínicas dependem do local e da profundidade da infiltração de eosinófilos no trato gastrointestinal. Diante disso, este trabalho tem como objetivo relatar um caso de gastroenteropatia eosinofílica, numa paciente que foge aos padrões encontrados na doença, por estar fora da faixa etária, ser do sexo feminino e ter dissociação clínico laboratorial. Paciente, 26 anos, branca, solteira, sem comorbidades, deu entrada no serviço de proctologia do HUSF em maio de 2015 com episódio de enterorragia. Ao exame físico, destacava-se o obdome distendido, peristáltico, timpânico, doloroso à palpação superficial e profunda, sem massas ou visceromegalias. Há dois anos apresentava quadros diarreicos, precedidos por intensa dor abdominal, difusa, em cólica, com frequência semanal intensificada nos períodos de estresse. Afirmou perda de dez quilos em um ano. A biópsia de segunda porção do duodeno evidenciou duodenite crônica leve com participação de eosinófilos. Após uso de prednisona 1mg/kg/dia, por três dias, houve remissão do quadro clínico e a paciente mantem-se assintomática. A terapia com corticoides é o principal tratamento da GEE, com alívio dos sintomas dentro de poucos dias ou semanas. Destaca-se que há poucos casos descritos na literatura e pouco se conhece sobre a doença. Entretanto, há questionamento no que se refere à raridade da doença versus a quantidade de exames que o paciente precisa se submeter para conclusão diagnóstica, pois quadros de diarreia crônica e dor abdominal são comumente encontrados na população.

Referências

Cianferoni A, Spergel JM. Eosinophilic Esophagitis and Gastroenteritis. Curr Allergy Asthma Rep. 2015;15(9):58.

Pineton de Chambrun G, Desreumaux P, Cortot A. Eosinophilic enteritis. Dig Dis. 2015;33(2):183-9.

Uppal V, Kreiger P, Kutsch E. Eosinophilic Gastroenteritis and Colitis: a Comprehensive Review. Clin Rev Allergy Immunol. 2016;50(2):175-88.

Lucendo AJ, Arias A. Eosinophilic gastroenteritis: an update. Expert Rev Gastroenterol Hepatol. 2012;6(5):591-601.

Khan S, Orenstein SR. Eosinophilic gastroenteritis: epidemiology, diagnosis and management. Paediatr Drugs. 2002;4(9):563-70.

SB Ingle, CR Hingle Ingle. Eosinophilic gastroenteritis: an unusual type of gastroenteritis. World J Gastroenterol. 2013;21;19(31):5061-6.

Leal RA, Narciso-Schiavon JL. Gastrenterite eosinofílica. Rev Soc Bras Clin Med. 2014;12(3):1-4.

Khan S. Eosinophilic gastroenteritis. Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2005;19(2):177-98.

Daneshjoo R, J Talley N. Eosinophilic gastroenteritis. Curr Gastroenterol Rep. 2002;4(5):366-72.

Perez-Millan A, Martin-Lorente JL, Lopez-Morante A, Yuguero L, Saez-Royuela F. Subserosal eosinophilic gastroenteritis treated efficaciously with sodium cromoglycate. Dig Dis Sci. 1997;42(2):342-4.

Daikh BE, Ryan CK, Schwartz RH. Montelukast reduces peripheral blood eosinophilia but not tissue eosinophilia or symptoms in a patient with eosinophilic gastroenteritis and esophageal stricture. Ann Allergy Asthma Immunol. 2003;90(1):23-27.

Publicado
2017-08-31
Como Citar
Santo, L. T. E., & Carraro, V. M. (2017). Gastroenteropatia crônica Eosinofílica em paciente jovem do sexo feminino: Relato de caso. Revista De Saúde, 8(1 S1), 28-29. Recuperado de http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RS/article/view/1003
Seção
Resumo - Suplemento